Marina Silva e o encontro com Cameron

Notícias — By Luis Corvini Filho on abril 14, 2010 at 22:52

“Este é o século dos limites, mas também o século das oportunidades”. Esta foi a afirmação da ex-ministra do meio ambiente e atual pré-candidata à presidência da República pelo PV, Marina Silva, durante o seminário Diálogos Capitais, ocorrido na PUC-São Paulo. O evento teve como tema a economia de baixo carbono brasileira. Além da ex-ministra, participaram o diretor do Programa Nacional de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Tasso Azevedo, o economista Ladislau Dowbor e profissionais do empresariado brasileiro.

A senadora comentou sobre sua a mobilização pré-Copenhague, e citou que, há menos de 4 meses do evento, não existia nenhuma meta de redução de emissões palpável. Segundo ela, somente com a iniciativa de ONGs, empresários e também da comunidade científica, o governo, pressionado, obteve um número plausível para levar à Reunião das Partes das Nações Unidas.

A pré-canditada Marina Silva durante coletiva

Marina ainda disse que o Brasil será capaz de ter papel crucial na resolução do problema da crise climática, podendo ser impactado positivamente, caso mantenha-se na liderança de métodos de redução de emissões, com o uso de combustíveis renováveis, a redução do desmatamento e ampliação da matriz energética limpa. As oportunidades apontadas pela senadora foram: a maior disponibilidade hídrica do mundo – 11% – sendo 86% deles na Amazônia, as maiores superfícies agricultáveis e um dos maiores potenciais na produção de energia limpa, como eólica, hidrelétrica, biomassa, solar, e álcool de 2a geração.

Ao mesmo tempo, porém, Marina Silva alertou que o país também pode ser impactado negativamente, caso não se movimente de forma pró-ativa, e mantenha, por exemplo, o crescimento da produção de metano por parte da pecuária.

Sobre o petróleo localizado na camada pré-sal, a senadora afirmou que parte dos recursos necessitam ser remetidos para a saúde, a educação e a tecnologia.

Na coletiva de imprensa, a ex-ministra comentou sobre seu encontro com o cineasta James Cameron, durante a segunda passagem do diretor de Avatar pelo Brasil. Cameron havia sugerido o encontro com a pré-candidata à presidência da república durante o Fórum Internacional de Sustentabilidade, realizado em Manaus no final de março.

Confira a resposta de Marina Silva na entrevista abaixo, em áudio.

Já Tasso Azevedo, diretor do Programa Nacional de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, afirmou que a sociedade precisa ser direcionada para um futuro sustentável, com base em 4 ideias-força:

Tasso Azevedo, diretor do Programa Nacional de Florestas do MMA.

1) Compreender que a transição energética deve acontecer mesmo na ausência das mudanças climáticas, com base na eficiência dos recursos, na conservação e na diminuição da dependência de combustíveis não-renováveis;

2) Perceber mais oportunidades do que problemas em épocas instáveis e de crise. Segundo Tasso, sistemas regulados recebem menos investimentos, pois não existem riscos;

3) Enxergar a longo prazo. O diretor deu como exemplo o contrato de emissões de uma termelétrica que, uma vez assinado, reafirma que a indústria irá poluir durante pelo menos 40 anos para produzir energia. Segundo Azevedo, deve-se levar em conta o custo da energia fóssil, junto com o preço do carbono, regulado publicamente, e o custo da tecnologia renovável, com uma política de incentivos real. Toda essa ponderação melhora a tomada de decisões para a economia de baixo carbono;

4) Adaptar-se imediatamente, com técnicas sustentáveis de agricultura e a eliminação de áreas de risco físico, como a ocupação irregular de áreas do litoral brasileiro.

Tasso concedeu entrevista ao BIOSFERA, e deu sua opinião sobre o desafio a ser enfrentado para o desenvolvimento da economia de baixo carbono. O diretor também fez um balanço geral da Conferência do Clima, a COP 15, ocorrida em Copenhague em dezembro de 2009.

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