“Hitler do clima” lutará contra aquec. global
Destaque, Notícias — By Luis Corvini Filho on setembro 2, 2010 at 10:40O dinamarquês Bjorn Lomborg, um dos mais famosos céticos do aquecimento global, já chamado pelos seus oponentes de “Hitler do clima”, mudou de ideia. Ele disse na terça-feira (31/08) ao jornal britânico Guardian que vai agora lutar contra a mudança climática.
O estatístico, conhecido mundialmente por negar a importância do aquecimento global e o barulho feito por cientistas, ativistas e a imprensa em torno dele, vai lançar um livro no próximo mês pedindo dinheiro em nome da sua nova bandeira.
Na obra, ele e um grupo de economistas analisaram oito métodos de redução do aquecimento global e sugerem que seja injetado dinheiro, por exemplo, em energias limpas como vento, ondas e energia solar e nuclear.
O ex-cético não é exatamente modesto na hora de pedir dinheiro: de acordo com ele, serão necessários cerca de US$ 100 bilhões por ano para que as iniciativas tragam resultados.
Vira-casaca
A mudança de lado do professor dinamarquês nos recentes debates sobre o clima foi uma surpresa para a comunidade científica. No livro que lhe deu projeção internacional (O Ambientalista Cético), e nas palestras e entrevistas que vieram depois dela, Lomborg abusou da matemática para mostrar que o controle do aquecimento global seria uma conta que não fechava.
Na sua opinião, o custo para combater o aquecimento era alto demais quando comparado com o benefício de ter um mundo “ligeiramente menos quente no futuro”.
Lomborg costumava defender que o ritmo do aquecimento e seus efeitos sobre as pessoas estavam sendo exagerados pelos cientistas “pró-clima” e pelo lobby dos que se beneficiariam com investimentos pesados em ações como limpar a matriz enérgica, por exemplo.
O professor, no entanto, nega no Guardian que tenha feito uma reviravolta. Ele disse que sempre aceitou a existência do efeito humano no aquecimento global e que o importante, agora, é ver onde se deve gastar dinheiro para combatê-lo.
Na série IPCC – O “episódio Lomborg” aconteceu um dia depois de um grupo de 12 cientistas independentes ter feito uma série de recomendações ao IPCC.
De acordo com os cientistas – que incluem um brasileiro, o físico Carlos Henrique de Brito Cruz – o painel do clima precisa passar por mudanças na sua gestão e na coleta de informações. Um dos pontos nevrálgicos do IPCC que levaram à revisão independente foi a afirmação de que as geleiras do Himalaia desapareceriam em 2035, muito antes do que outras fontes sugerem.
Lomborg bateu nessa tecla anteriormente, quando ainda era cético do clima. Ele afirmou que a matemática do degelo estava errada e que, mesmo que o degelo ocorresse, isso poderia ser benéfico, pois aumentaria a quantidade de água disponível no verão para a China e Índia.
O dinamarquês pretende continuar criticando as contas do Himalaia. Mas, agora, sem desprezar as recomendações do IPCC.
O Ambientalista cético
Bjørn Lomborg é um autor e cientista político dinamarquês. Professor adjunto do Copenhagen Business School, diretor do Centro de Consenso de Copenhague e um ex-diretor do Instituto de Avaliação Ambiental em Copenhague.
Ele tornou-se conhecido internacionalmente por seu controverso best-seller The Skeptical Environmentalist (O Ambientalista Cético), publicado em 2001> A tese principal do livro é a negação das previsões dos problemas ambientais.
Em 2002, Lomborg e o Instituto de Avaliação Ambiental criaram o Consenso de Copenhague, que tem por objetivo estabelecer as prioridades para promover o bem-estar global, utilizando metodologias baseadas na teoria da economia do bem-estar.
Até este ano, Lomborg fez campanha contra o Protocolo de Kioto e outras medidas para reduzir as emissões de carbono, argumentando ser inevitável a necessidade de adaptação a curto-prazo ao aumento da temperatura.
Fonte: Folha.com / Wikipedia
Imagem: Hasse Ferrold / Reprodução site












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1 Comentário
O QUE HÁ DE NOVO NA DISCUSSÃO DA TEMÁTICA DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS?
Ainda vivemos, agora mais intensamente, o conflito de posições entre os que defendem e os que atacam as bases da teoria do Aquecimento Global. Todos os dias, nas diferentes formas de mídia (muitas das vezes tendo como pano de fundo nítidas posições políticas), pode-se observar a quantidade de informações que, em síntese, massacram a cabeça do ser humano não iniciado (entenda-se a grande maioria da sociedade).
Muitas informações são extremamente oportunas, outras suposições, muitas das vezes sem qualquer sustentação científica. Como os não iniciados não conseguem perceber a diferença entre as duas situações, acabam por, gradativamente, se afastando da discussão do tema, transferindo para o segmento dito dos iniciados (pesquisadores, cientistas, ecologistas, políticos, etc.) o andamento do assunto.
As pesquisas já mostram isso com muita clareza; a realizada pelo Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA, na Região da Grande Vitória / ES (municípios de Vitória, Vila Velha, Serra e Cariacica (cerca de 1000 entrevistas / erro de 3% e intervalo de confiança de 95%) deixa claro que a sociedade como um todo reconhece a importância do tema, porém se diz fora do processo de decisão e, ao ser submetida a aprovar ou rejeitar teses corretas (fundamentadas cientificamente) e não corretas, reage, demonstram um nítido e visível desconhecimento sobre o contexto das Mudanças Climáticas.
Ou seja, a sociedade prioriza o assunto e está aberta a um processo de conscientização, porém o processo que se está adotando hoje – vale mais, muitas das vezes, o impacto do título da matéria do que seu conteúdo – está gerando uma ação de entropia que nos parece muito perigosa, sobretudo se levarmos em conta que não há solução para o problema se não houver uma íntima e consciente participação da sociedade.
Onde está a origem das falhas que levam a esta realidade?
São muitas. Começam nas escolas de ensino básico, fundamental, médio e médio técnico que ainda não perceberam que meio ambiente não pode ser discutido apenas em sala de aula dissociado da realidade da comunidade do seu entorno, das instituições de ensino superior que ainda não perceberam a importância de gerar gestores (nas várias áreas de formação) ambientais que possam atuar a partir de suas futuras atividades profissionais, do Poder Público que não assume a sua responsabilidade de estruturar campanhas de conscientização, do segmento político que em muitas das vezes define leis totalmente dissociadas da realidade, para citar apenas algumas, que acabam por levar a sociedade a este processo de afastamento em relação aos assuntos ligados à temática ambiental.
A quem interessa este estado de coisas?
Quem ganha, quem perde com isso?
Será que a tática é “pagar para ver”?
Roosevelt S. Fernandes, M. Sc.
Núcleo de Estudos em Percepção Ambiental / NEPA
roosevelt@ebrnet.com.br