1o dia Conf. Int. Cidades Inovadoras

Destaque, Notícias — By Luis Corvini Filho on março 10, 2010 at 16:10

por Luis Corvini Filho, de Curitiba

Começou hoje em Curitiba a Conferência Internacional de Cidades Inovadoras. A abertura do evento foi feita por Beto Richa, prefeito da cidade, juntamente com autoridades da cidades de Lyon (França), Londres (Inglaterra), Bengaluru (Índia) e Austin (EUA).

Abertura da CiCi 2010.

A primeira rodada de palestras, tematizada “O reflorescimento das cidades”, trouxe articuladores dos EUA, da Inglaterra e também do Brasil, abordando assuntos sobre o desenvolvimento dos municípios modernos.

Participantes durante a abertura da CiCi 2010

A estadunidense Carol Coletta, apresentadora de rádio do programa “Smart City” e presidente da organização CEO for Cities discursou sobre os desafios encontrados por empreendedores sociais na implementação de mudanças.

Ela exemplificou sua fala ao apresentar um projeto de sua ONG. Chamado de “dividendos da cidade”, o projeto levanta três pontos-chave – talento, preservação e oportunidade – que a organização acredita ser o “pagamento mínimo de dividendos” de cada município perante a sociedade.

Na avaliação do estudo, somando-se as 50 maiores áreas metropolitanas dos EUA, a simples ação de acréscimo ou decréscimo mínimo na performance de cada um dos itens – 1% de acréscimo no processo de educação (talento), 1 milha a menos dirigida em por dia (preservação) e 1% de diminuição da pobreza (oportunidade) – resultariam em uma economia de 166 bilhões de dólares, anualmente. Dos três tópicos, o maior contribuidor para essa economia seria o do talento.

Segundo Coletta, como todas as tentativas de inovar um processo já estabelecido, as dificuldades são inúmeras. “A inovação esbarra em um grande revés, que é a natureza humana. Mudar é difícil. Tentamos estabelecer um padrão, somos ensinados a jogar pelas regras. E a inovação diz justamente para não jogarmos pelas regras, diz.

Carol ironicamente exemplifica a dificuldade de sua ONG em apresentar o estudo nas diversas cidades visitadas por sua equipe: “Quando chego em uma cidade para apresentar o projeto e a primeira pergunta que me fazem é sobre quem mais já fez isso, eu simplesmente marco “um a menos” e sigo em frente”. afirma, sorrindo.

Outro discursador foi Augusto de Franco, articulador do Comitê Científico da Conferência, além de autor de livros sobre desenvolvimento social e redes sociais.

Augusto ponderou sobre o movimento fractal ocorrido em diversas partes do globo, no qual cidades obtém formas diferenciadas de desenvolvimento, baseadas em redes sociais e ligações com demais cidades, revolucionando a forma tradicional de administração urbana.

“A morfologia e a dinâmica da sociedade está cada vez mais sendo a morfologia e a dinâmica de uma rede”, diz de Franco. O escritor afirma que, com esse movimento, a relação do estado com a sociedade vem mudando. “O surgimento de novas políticas se dá pelo movimento das pessoas e por suas manifestações sociais”.

Prova disso, segundo Augusto, é a forma estrutural das cidades-metrópole, como São Paulo e Nova York. As megalópoles não estão desvinculadas ao Estado de Governo, mas já estabelecem negociações externas de forma independente do Estado.

Outro exemplo é o armazenamento de conhecimento. “Como esta todo mundo conectado (…) Eu agora guardo meu conhecimento com meus amigos, em minha rede de contatos, e não mais em uma universidade, uma biblioteca. Se meu amigo tem o conhecimento, eu também posso ter”. diz.

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