Surge o G-2, e ele pode atrapalhar Copenhague

Blog — By Diego Sousa on novembro 17, 2009 at 18:49

por Diego Geraldo

Se toda essa crise teve um lado positivo, foi o fim do poder político do chamado G-8 (Grupo formado pelos 7 países mais ricos mais a Rússia) e, com certa liderança do Brasil, analistas apontavam o G-20, mais amplo e democrático, como o sucessor natural. Aliás, o próprio presidente Obama disse que o grande canal de negociação mundial seria o G-20.

Obama é mais esperto que Bush, a política externa comandada por Hillary Clinton é muito inteligente. Os Republicanos defendiam uma política externa de conquista pela força. Vale lembrar que Bush deu de ombros quando a ONU condenou a invasão do Iraque. Os Democratas, preferem a negociação… a negociação que faz bem aos interesses norte-americanos, que fique bem claro. Ou você achou que presidente dos EUA defenderia outros interesses?

E essa viagem de Obama para para a Ásia deixou bem claro com quem os EUA querem negociar: com a China. Não existe projeto no mundo que dê certo sem a concordância das duas potências.

A China tem interesses em manter o cenário econômico estável, mas conforme suas vontades. Um exemplo é a valorização do dólar, que garante a competitividade dos produtos chineses, os empregos e o níveis de crescimento gigantes.

Para os EUA, vale manter os investimentos chineses que estão financiando a solução de Obama para combater a crise: gastança de dinheiro público. Desde que os juros sejam pagos, Hu Jintao não reclamará.

A China, devido aos seus problemas de disputas territoriais, não tem a tradição de se envolver nos problemas dos outros. E eles gostam de ser assim, se alguém pisar no calo, usa-se a economia para conseguir o que quer. Os EUA então continuam se colocando como donos do mundo, se metendo em todos os lugares. Mas a partir de agora só o fazem com o aval da China, porque o dinheiro gasto para comandar o mundo terá olhos puxados. Nasce o G-2.

E o que isso tem com Copenhague? Lula e seus amigos europeus podem espernear na Dinamarca, sem apoio do G-2, nada vale. São os dois maiores poluidores do planeta… e as duas maiores economias também.

O que vai determinar as intenções do G-2 no Encontro será a ida ou não de Obama para a reunião. Político nenhum, principalmente o popstar presidente norte-americano, dá notícia ruim. Ministro existe também para isso. Obama não vai até a Dinamarca para ser um vilão, se ele for, algo pelo menos razoável será apresentado pelo G-2.

E como fica o Brasil nisso tudo? Lula estava muito pressionado para estabalecer uma meta audaciosa, principalmente para frear o desmatamento. E a comunidade internacional gostou da proposta brasileira.

Caso a prosposta do G-2 seja muito boa, Lula saíra como o defensor da Amazônia, meio coadjunvante de Obama. Caso seja razoável, será apontado como um exemplo a ser seguido, junto com os amigos europeus. E na hipótese do G-2 ignorar o encontro, Lula volta para casa vestido de Pilatos. “Eu e Dilma fizemos o que podiamos, mas quem manda não quis, viu Marina? Lavamos as mãos”.

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    2 Comentários

  • F. Fachini disse:

    Gostei do "volta para casa como pilatos"… pois bem, acredito que as possibilidades apontadas no texto são praticamente "futuros possiveis fatos", mas me nego a acreditar que as duas potências não apresentem números significativos de mudança. Quanto ao Brasil, na voz de Lula, acho q estamos bem representados, ao menos nessa discussão.Mas, acredito, ainda, que pelo tom severo que Lula assumiu, pode ser que tenhamos um bom "cobrador" para as duas poténcias ficarem de alerta.

  • Luis Corvini Filho disse:

    Ótima análise da nova realidade mundial. Realmente, por mais que briguemos, levantemos a bandeira, e gastemos nossa energia em prol do meio ambiente, estamos presos a grilhões perante às duas potências econopoluidoras mundiais.

    Resta esperar para a COP-15, e pensar nas próximas reuniões sobre o clima? Tavez México em 2010?

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